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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Eu odeio esse silêncio quando minha alma chora. Odeio muito mais ir dormir desse jeito, simplesmente porque não consigo fechar os olhos sem ficar imaginando tantas bobagens que podem acontecer enquanto estamos assim.
Estou perdendo o sono porque não posso ignorar.
Tá frio e eu não estou falando do tempo.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sou aquilo que você não vê.

Ela se olha no espelho, e num súbito, se sobressai. Vê seu verdadeiro eu ali, parada em sua frente. A imagem a assusta parece não conhecer quem ali está. Passa a ver-se e ouvir-se, distintamente.
Uma lágrima escorre pelo seu rosto e então o reflexo pergunta: quem é você quando ninguém está olhando?

“– Não sei”– responde.

E o reflexo diz: ”– Olhe para sua infância cheia de buracos vazios, enfeitados com flores plásticas, nada ali é natural. Deram-lhe inteligência além da sua existência. As pessoas te olhavam e admiravam por ser uma garotinha de fala difícil, contestadora ao extremo. Você passou a aceitar a identidade lhe imposta. Passou a ser contra as tradições e ensinamentos transmitidos no lar. Olhe para você ali torcendo pra ganhar um all-star no aniversário, pra se senti a roqueirinha descolada na escola. E seus cadernos? Todos com a última folha rabiscada. Lembra quando você desenhava assistindo aos desenhos na TV? Tinha o sonho de ser uma desenhista, daquelas que também escrevia sua própria história. Cresceu. Ficou chata consigo e perdeu a referência. Ficou presa na própria rede que teceu. Passou a...”– interrompida.

“– CALE-SE! Peguei meu verdadeiro eu na prateleira e passei a usá-lo. Não quero perder quem sou. Não mais.Não suporto minha contestação. Agora não basta ser a mais inteligente, mais bonita, mais gostosa. Quero também ser amada, compreendida, compreender, apaixonar-me, sofrer, alegrar e também errar. Agora sou assim, pessoa natural. Ser humano de carne e osso. Afinal, o que eu faço quando ninguém está olhando resulta  na sua criação, o que você vê em mim, e cada vez que isso acontece me torno melhor.”



(Contribuição para a Corrente literária "Quem")