domingo, 1 de julho de 2012

E depois de tudo, me peguei fingindo ter um coração pequeno, 
Pra quem sabe assim a dor fosse minúscula,
Como se fosse apenas uma semente, uma semente ruim plantada e regada a doses de veneno,
Mas a dor é astuta, sempre é proporcional.
Naquele dia sofri dela, tão bruta, com meu coração pequeno.
A dor mais colossal. 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Uma festa dentro de mim

Resolvi dar férias para as dores, tristezas e decepções. Cansei de ficar reclamando, de achar culpados para a minha angústia. Resolvi mandar tudo plantar batatas e decidi: vou fazer uma festa dentro de mim!

Pra começar eu vou para o espelho ensaiar o meu melhor sorriso, vou retirar essas marcas da minha testa, vou jogar fora essa máscara de dor que me acompanha há tantos dias, e preparem-se: eu quero é ser feliz. Quero conhecer pessoas como você que é alegre, pra cima, alto astral, pra falar a verdade, eu também era assim, até que uma decepção me jogou para baixo.

Mas, hoje eu não quero falar de tristeza, quero saber é de coisas boas, quero ir ao cinema, sabe há quanto tempo eu não vou ao cinema? e tem mais, eu vou escolher o filme, chega de "gente" ficar escolhendo o que eu quero.

Hum! Acho que vou passar no cabeleireiro antes, vou pintar os cabelos, cortar umas pontas, vou me agradar, só para o meu prazer.

Engraçado, agora que eu falei nisso, sabe que eu estava em um relacionamento onde eu fazia tudo para agradar a pessoa que estava comigo, fazia isso, não fazia aquilo para não magoar, não usava aquela roupa, usava aquele perfume, tudo para acertar, para manter o "clima", para fazer o gosto da pessoa e resolveu o que? Ganhei um pé no traseiro, e perdi a vontade de viver.

Você sabe onde eu errei? Hoje eu sei! Eu errei na hora de anular os meus desejos, em transferir a minha vida para as mãos de outra pessoa, e é lógico, quando eu percebi que era o fim, fiquei sem chão, sem mundo, sem vida.
Mas, hoje é dia de festa e só para o meu prazer vou tomar um banho demorado, e vou fazer de conta que a água do chuveiro é água de batismo e vou "renascer para á vida". Sai da minha frente que eu quero viver!

Quem quiser que me acompanhe.

domingo, 3 de junho de 2012

Não tento ser o que não sou.


      Eu nunca fiz questão de ser o que eu não era. Sabe essas coisas de menina? Escrever com caneta lilás, ter tudo rosa, pregar adesivo no caderno, colecionar papel de carta, usar as duas meias ajeitadinhas na mesma altura, falar baixo, ter gestos delicados, usar saias, gostar de maquiagem, joelhos lisinhos, cabelo penteado, ser tímida, não responder à pergunta da professora por vergonha?

     NUNCA FIZ ISSO quando era criança. Eu era o furacão. O Monstrinho. Conversava na sala em horários indevidos, brigava com os professores que não ensinavam direito. Eu era a gorda baixinha geniosa entrona cdf metida. E tentava me incentivar a ser mais menina, menos desajeitada, menos desastrada. E eu dizia: "Mãe, eu não sou assim não, mãe".

     Tudo eu fazia com intensidade, com fúria, com paixão, e até com sofreguidão. Desenvolvia obssessõezinhas. Assistir cinco vezes ao mesmo filme, ler trinta vezes o mesmo livro, ouvir cem vezes a mesma música, contar mil vezes a mesma piada. Tudo com imensa franqueza. Com um intenso gostar. Eu sempre fui sem-vergonha. Não sei ser tímida.

     Essa baboseira toda é pra dizer que não sou, não tento  e jamais tentarei ser perfeita. Aliás, as vezes dou foras e em seguida sou a rainha do "desculpaí". Explodo e minutos depois, estou tentando consertar as coisas.

     As pessoas tentam desculpar: "Tudo bem, eu te desculpo, eu sei que você tá tentando mudar esse seu jeito". Ou seja, "Eu te desculpo, mas espero que você passe a ser doce, meiga, gentil, cordata, pacífica, num futuro próximo." 

     E eu digo: "NÃO! Não estou tentando mudar não. Eu faço truculências, sou rude, sou impaciente, sou egocêntrica, acabo ofendendo os outros. Não acho que estou certa, mas sou assim e aprendi a gostar de mim dessa maneira. Peço desculpas, sim - pois amo as pessoas com quem explodo, e ofendo intensamente as pessoas que mais intensamente amo - mas não tenho um pingo de vontade de ser bibelô."

     Cá entre nós, eu acho que eu sou mais inofensiva assim do que sufocando a grosseirona que eu sou, e fingindo ser uma doçura de mocinha.

domingo, 4 de março de 2012

Sobre enlouquecer


     Alguns dizem que o cérebro é o órgão mais misterioso do corpo humano. Ele aprende. Muda. Adapta-se. Ele nos diz o que vemos. O que escutamos. E nos deixa sentir o amor. Acho que abriga nossa alma. Mas não importa quantas pesquisas façamos... Ninguém pode dizer como a delicada massa cinzenta na nossa cabeça trabalha, sabemos apenas que as vezes ela pode falhar, pode se machucar, e quando é machucada, quando o cérebro humano está traumatizado, bem, acho que  é aí que ele fica ainda mais misterioso.
     Acidentes, toxinas, álcool, doenças. Seja lá qual for o trauma que nosso cérebro sofra às vezes o pior é aquele que alguém que agente ama causou. O medo de se entregar novamente. O desespero de olhar pro lado e não ter ninguém. A dor.
     Então, não se pergunte por que as pessoas enlouquecem. Se pergunte por que NÃO enlouquecem. Diante do que podemos perder num dia, num instante. Se pergunte que diabos é isso que nos faz manter a razão.


domingo, 19 de fevereiro de 2012

Tempo...como odeio o tempo!

     Quando me apaixonei por ti, o tempo não existia. O tempo era apenas parte dos meus dias. Era o que eu tirava de mim para ti, e o teu tempo, não era assim. Quando te conheci, o teu tempo era para mim, tinhas tempo para tudo, até para me fazeres sorrir. Hoje, vejo esse tempo partir, deixando saudade, e vontade, que um dia volte a ser assim.
     Hoje, um mês depois, o tempo desapareceu, não tens tempo para nada. E mesmo eu continuando a tirar o meu tempo para ti, tu nunca estás aqui. O tempo já não existe, e o nosso tempo também não... Já não vejo tempo para mim, nem tempo para nada... Nem tempo para uma mísera palavra! Odeio o tempo.
     Choro, sofro, sozinha na minha cama, tentando parar o tempo, mas ele vai passando por mim, sem ti. E todo o tempo que passou por nós vai ficando mais distante. Só queria que fosse um pouco como antes, poder ter um pouco do teu tempo para estar bem. E mesmo que o tempo seja pouco, um minuto chega para dizer tudo... Mas em 24 horas, não dizes nada! Quero que o meu tempo passe depressa, pois sofrer pelo tempo é a maior espera da minha vida. Não quero esperar mais pelo tempo, vou vê-lo passar, e deixar-me ir com ele, destruída.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Existe sempre uma coisa ausente...

" E uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também. Não queria fazer mal a você. Não queria que você chorasse. Não queria cobrar absolutamente nada. Por que o Zen de repente escapa e se transforma em Sem? Sem que se consiga controlar. "
Caio Fernando Abreu
Venha quando quiser. Ligue. Chame. Escreva. Tem espaço na cama e no coração, só não se perca de mim.